Putin diz que vai dar US$ 1 bilhão para 'Conselho da Paz' de Trump com ativos congelados
Putin e Trump se cumprimentam durante encontro no Alasca REUTERS/Kevin Lamarque O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira (22) que dar...
Putin e Trump se cumprimentam durante encontro no Alasca REUTERS/Kevin Lamarque O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira (22) que dará US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,3 bi) para o "Conselho de Paz", do presidente dos EUA, Donald Trump. A contribuição seria com ativos russos congelados por conta da guerra na Ucrânia, segundo o Kremlin. "A Rússia está pronta para mandar US$ 1 bilhão para ajudar o povo palestino no âmbito do 'Conselho de Paz'", afirmou Putin. A quantia foi solicitada por Trump para qualquer país que queira uma cadeira vitalícia no novo conselho, que foi criado oficialmente nesta quinta em cerimônia no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça (leia mais abaixo). Putin não estava presente. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Segundo Putin, a ideia de mandar dinheiro de ativos russos congelados nos Estados Unidos para o conselho já havia sido discutida anteriormente com o governo Trump. O presidente russo disse que discutirá o assunto ainda nesta quinta com Steve Witkoff, o enviado especial de Trump para a guerra da Ucrânia, durante encontro em Moscou nas próximas horas. “Ainda não está claro como [a contribuição] será formalizada do ponto de vista legal; tudo isso precisa ser discutido. (...) Isso exige um desbloqueio [de ativos], o que, naturalmente, exigirá determinadas ações por parte dos Estados Unidos”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em coletiva de imprensa. 'Todos os países querem fazer parte do Conselho da Paz', diz Trump A Rússia teve seus ativos monetários em bancos ao redor do mundo congelados após invadir a Ucrânia em fevereiro de 2022, ato que deu início à guerra entre os dois países. Uma boa parte desses ativos está na Europa, e outra nos EUA. O governo russo afirma que o congelamento de seus ativos é ilegal e foi motivo de uma escalada de tensões com a União Europeia no final de 2025, quando o bloco tentava os tomar para financiar a ajuda à Ucrânia. Trump indicou nesta quinta-feira que um acordo para finalizar a guerra da Ucrânia pode estar próximo —porém ele já disse isso em vão no passado. "Terminamos com oito guerras, e acredito que o fim de outra esteja vindo muito em breve, vocês sabem de qual eu estou falando. Aquela que eu achei que seria fácil de resolver, mas acabou se provando ser a mais difícil", disse o presidente norte-americano em referência ao conflito europeu. Trump vai se encontrar com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em Davos nesta quinta-feira e disse acreditar que haverá "grande progresso". Witkoff, que também tratará do fim do conflito no encontro com Putin, afirmou em Davos que "falta apenas uma questão entre Ucrânia e Rússia", porém sem dar mais detalhes. Entenda mais sobre o 'Conselho da Paz', lançado por Trump nesta quinta em cerimônia em Davos Trump lança 'Conselho da Paz' O Ministro da Corte do Primeiro-Ministro do Bahrein, Shaikh Isa bin Salman bin Hamad Al Khalifa, o Presidente dos EUA, Donald Trump, e o Ministro das Relações Exteriores de Marrocos, Nasser Bourita, seguram a Carta assinada do Conselho da Paz, que visa a resolução de conflitos globais. Denis Balibouse/Reuters O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou oficialmente nesta quinta-feira (22) seu "Conselho da Paz". O evento foi marcado por críticas do norte-americano à ONU e um plano para reconstruir a Faixa de Gaza com uma fila de arranha-céus. ➡️ Criado por seu governo para supervisionar a paz na Faixa de Gaza e reconstruir o território palestino, a estrutura é vista por parte da comunidade internacional com uma tentativa de esvaziar a ONU. Em cerimônia dentro do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, Trump disse que seu conselho terá aval "para fazer tudo o que quisermos" não só em Gaza, e seu governo também apresentou um plano de reconstrução que chamou de "Nova Gaza" (leia mais abaixo). "Quando esse conselho estiver completamente formado, poderemos fazer praticamente tudo o que quisermos. E faremos isso em conjunto com as Nações Unidas", disse Trump, que será o presidente vitalício do órgão e o único com poder de veto. Cerca de 30 dos 60 líderes mundias que aceitaram participar do conselho — o presidente Lula foi convidado para integrar o Conselho da Paz, mas ainda não respondeu ao convite. Já o presidente argentino, Javier Milei, participou da cerimônia desta quinta. Em discurso na cerimônia, Trump disse ser um "dia muito empolgante" e voltou a criticar a ONU — que críticos dizem que Trump quer substituir com a crianção de seu "Conselho da Paz". "Eu nunca nem falei com a ONU. Eles tinham um potencial tremendo", afirmou Trump. No entanto, ele disse que seu conselho dialogará "com muitos outros, incluindo a ONU". A proposta de Trump é que o conselho não se dedique apenas a Gaza, mas que comece pelo território palestino, que ele disse que será "desmilitarizado e lindamente reconstruído". O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, também discursou na cerimônia e disse que o conselho será "um conselho não só da paz, mas da ação". Entenda Parte do plano dos Estados Unidos para a reconstrução da Faixa de Gaza, apresentado no Fórum Econômico Mundial, em 22 de janeiro de 2026. Reprodução/ g1 O Conselho da Paz é uma estrutura criada por Trump para atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza. A iniciativa também pode atuar em outros conflitos internacionais no futuro. De acordo com o estatuto do conselho obtido pela agência Reuters, Trump terá mandato vitalício como presidente do grupo e amplos poderes. Países que desejarem um assento permanente precisarão pagar US$ 1 bilhão (R$ 5,37 bilhões). Os recursos serão administrados pelo presidente dos EUA. A comunidade internacional, no entanto, teme que o Conselho de Paz vire uma espécie de "ONU paralela" e enfraqueça o papel da Organização das Nações Unidas. Na mesma cerimônia, o conselheiro de Trump Jared Kushner, também genro do presidente norte-americano, apresentou o plano dos Estados Unidos de reconstrução da Faixa de Gaza. "É uma ótima locação para o mercado imobiliário, perto do mar, disse Trump. Leia mais sobre o "Conselho de Paz" de Trump aqui.