Operação em Caracas, petróleo e julgamento em NY: 5 pontos-chave da captura de Maduro pelos EUA e dos próximos passos
EUA atacam Venezuela e capturam Nicolás Maduro Já nos primeiros dias de 2026, os Estados Unidos retomaram as manchetes por todo o mundo com a prisão do presi...
EUA atacam Venezuela e capturam Nicolás Maduro Já nos primeiros dias de 2026, os Estados Unidos retomaram as manchetes por todo o mundo com a prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no ataque mais forte contra um país da América Latina em décadas. 🔴AO VIVO: Acompanhe as últimas notícias em tempo real SANDRA COHEN: Trump preferiu pragmatismo à coerência ao optar por Delcy Rodríguez como interlocutora da transição venezuelana ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Estava de férias e quer ficar por dentro? O g1 resume abaixo tudo sobre o ataque, com todos os detalhes do ataque norte-americano em Caracas, a repercussão e os próximos passos do processo de Maduro pela Justiça dos EUA. Como foi o ataque na Venezuela? Quantas pessoas morreram? Como EUA justificaram o ataque? Interesse pelo petróleo venezuelano O que os outros países podem fazer contra as ações dos EUA? 1. Como foi o ataque na Venezuela? Aeronaves são vistas voando baixo durante explosões em Caracas O Exército dos Estados Unidos realizou bombardeios em Caracas e em outras regiões da Venezuela na madrugada do sábado (3) para a captura de Maduro. Os primeiros ataques foram ouvidos na capital venezuelana a partir das 3h no horário de Brasília. A operação foi descrita como "discreta, precisa e conduzida no escuro da madrugada" pelo general Dan Caine, chefe do Estado-Maior do Exército dos EUA. A ação foi autorizada pelo presidente americano, Donald Trump, às 0h46 de sábado, também no fuso de Brasília. Segundo Caine, os EUA lançaram cerca de 150 aeronaves sobre o espaço aéreo venezuelano, entre jatos de guerra F-18, F-22 e F-35, bombardeiros B-1, helicópteros de operações especiais e drones de vigilância. Primeiro, jatos realizaram bombardeios em instalações militares e em defesas aéreas da Venezuela. Depois, aeronaves EA-18 Growler fizeram um ataque à rede elétrica da capital Caracas, deixando-a no escuro. O ataque inicial abriu caminho para helicópteros da Força Especial Delta se dirigirem em segurança para o Fuerte Tiuna, no sul de Caracas, onde Maduro estava escondido. As tropas americanas chegaram ao local às 3h01 e trocaram tiros com forças de segurança presidenciais, segundo Caine. Logo depois, os soldados chegaram até Maduro logo antes dele conseguir fechar a porta de um bunker. O presidente venezuelano e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e levados para os Estados Unidos. 2. Quantas pessoas morreram? Veja os vídeos que estão em alta no g1 Ainda não se tem um número exato de mortes causadas pelo ataque dos EUA, porque o governo da Venezuela ainda não divulgou um balanço oficial até a última atualização desta reportagem. No entanto, fontes venezuelanas afirmaram ao jornal americano "The New York Times" que ao menos 40 pessoas morreram. O governo de Cuba e o ministério venezuelano das Relações Exteriores confirmaram nesta segunda-feira que 32 cidadãos cubanos morreram no ataque dos EUA. Ainda não se sabe se essas mortes foram incluídas no balanço da mídia norte-americana. O ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, afirmou que "uma grande parte" da equipe de segurança de Maduro foi morta durante a operação dos EUA, porém sem dar um número preciso. 3. Como EUA justificaram o ataque? Donald Trump prometeu explorar as reservas de petróleo da Venezuela NICOLE COMBEAU/POOL/EPA/Shutterstock Muitos países criticaram o ataque dos EUA na Venezuela, afirmando que constitui uma grave violação do direito internacional. Segundo especialistas, um ataque militar em um país soberano é um ato de guerra. O governo Trump, no entanto, esquivou-se de acusações dessa natureza e evitou falar em ato de guerra. A Casa Branca justificou a ação militar como necessária para dar apoio ao Departamento de Justiça norte-americano para fazer cumprir um mandado de prisão contra Maduro. O presidente venezuelano é alvo das seguintes acusações pela Justiça dos EUA: Conspiração para o narcoterrorismo; Conspiração para o tráfico de cocaína; Posse de metralhadoras e dispositivos explosivos; Conspiração para posse de metralhadores para uso pelo narcotráfico. Maduro e sua esposa foram transferidos ainda no fim de semana para uma prisão em Nova York e comparecerá nesta segunda-feira em um tribunal em Manhattan para ouvir as acusações. 4. Interesse pelo petróleo venezuelano Um petroleiro venezuelano da estatal PDVSA participa do enchimento de um petroleiro no terminal de embarque e armazenamento de José, 320 quilômetros a leste de Caracas, 12 de fevereiro de 2003 Reuters Por trás do ataque e das acusações de narcotráfico contra Maduro, o real interesse do governo Trump está no petróleo da Venezuela, segundo especialistas. Isso porque o território venezuelano é lar da maior reserva de petróleo do mundo, com cerca de 303 bilhões de barris. Ainda na manhã de sábado, Trump disse em entrevista à TV norte-americana "Fox News" que os EUA terão um "forte envolvimento" com o petróleo da Venezuela. O presidente norte-americano também disse que empresas dos EUA retornarão ao território venezuelano, como era antes de uma estatização realizada por Hugo Chávez entre 2007 e 2009. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou no domingo que os EUA vão impor uma “quarentena do petróleo” já existente na Venezuela. O bloqueio a navios petroleiros do país continua. “Nós mantemos essa quarentena e esperamos ver mudanças, não apenas na forma como a indústria do petróleo é administrada em benefício da população, mas também para que se interrompa o tráfico de drogas", acrescentou. Leia nesta matéria mais detalhes sobre os planos do governo Trump para o petróleo venezuelano. 5. O que os outros países podem fazer contra as ações dos EUA? A comunidade internacional repudiou o ataque dos EUA e pediu que a situação não escale ainda mais. A Rússia e a China, tidos como os maiores aliados do regime Maduro, emitiram repúdios e exigiram a imediata libertação do presidente venezuelano, porém parou por aí. Mas, na prática, pouco pode ser feito para de fato frear as ações do governo Trump. Em teoria, órgãos multilaterais como a Organização das Nações Unidas (ONU) teriam o poder de frear ações como essa, porém isso não acontece. Os EUA, por exemplo, possui o poder de veto em reuniões do Conselho de Segurança da ONU. O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que o ataque norte-americano na Venezuela abre um "precedente perigoso". A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) fez uma cúpula de emergência no domingo, porém o encontro terminou sem acordo por um posicionamento. Enquanto Brasil, Colômbia, Uruguai e Espanha (que entrou como convidada) demonstraram preocupação, países alinhados ao governo Trump como a Argentina, Paraguai e Bolívia se opuseram apoiaram a ação. O Congresso norte-americano também protestou: congressistas disseram que foram enganados pela Casa Branca, que havia dito que o objetivo da ofensiva na Venezuela não era mudança de regime, e exigiram explicações. A União Europeia, aliada dos EUA, pediu uma "transição pacífica para a democracia" na Venezuela, porém não foi contundente no repúdio à ação militar do governo Trump.