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Falso médico é acusado de realizar exames admissionais na Educação de Arraial do Cabo

Diogo dos Santos Serpa foi preso por exercício ilegal da medicina Reprodução O homem preso por exercer ilegalmente a medicina e atender uma criança com cân...

Falso médico é acusado de realizar exames admissionais na Educação de Arraial do Cabo
Falso médico é acusado de realizar exames admissionais na Educação de Arraial do Cabo (Foto: Reprodução)

Diogo dos Santos Serpa foi preso por exercício ilegal da medicina Reprodução O homem preso por exercer ilegalmente a medicina e atender uma criança com câncer realizou exames admissionais de candidatos contratados para trabalhar na rede municipal de ensino de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio. Diogo dos Santos Serpa foi preso em flagrante na quinta-feira (6), em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Os procedimentos teriam sido realizados durante a etapa anterior à contratação de profissionais pelo Instituto Rede de Apoio Social, organização responsável pela gestão de serviços junto à Prefeitura de Arraial do Cabo. Uma das trabalhadoras atendidas por Diogo confirmou ao g1 que passou pelo exame admissional feito por ele. 📱 Siga o canal do g1 Região dos Lagos no WhatsApp. Agora no g1 A mulher, que não quis se identificar, contou que trabalhava havia um ano e sete meses na Prefeitura de Arraial do Cabo por meio de um contrato com duração prevista de dois anos. Ela havia sido aprovada em um processo seletivo, mas, no meio deste ano, os profissionais foram informados de que uma empresa terceirizada assumiria as contratações. “Fizemos a inscrição e enviamos os currículos. Muita gente não entrou e eu não sei quais foram os critérios utilizados para selecionar essas pessoas. Depois, entregamos os documentos. Nesse local, havia cerca de três médicos fazendo os exames admissionais”, relatou. Segundo a trabalhadora, Diogo foi o responsável por examiná-la. Ela afirmou que teme que o procedimento não tenha validade e questionou se precisará passar por uma nova avaliação. “Eu fiz o exame admissional com esse falso médico. Não sei como uma empresa contrata uma pessoa que não é médica. Como fica a minha situação? Essa dúvida também deve ser de todos que fizeram o exame com ele”, disse. Um atestado de saúde ocupacional obtido pela reportagem apresenta o carimbo de “Dr. Jefferson Sampaio”. Segundo a Polícia Civil, Diogo usava o nome e o registro profissional desse médico durante os atendimentos. O documento indica que a pessoa examinada foi considerada apta para exercer a função. O g1 apura quantos candidatos da Secretaria Municipal de Educação foram atendidos pelo suspeito, em quais processos seletivos ele atuou e se os profissionais precisarão passar por novos exames admissionais. Uma convocação publicada pelo Instituto Rede de Apoio Social mostra que 28 candidatos ao cargo de auxiliar de Educação Infantil foram chamados no Processo Seletivo nº 006/2026. Uma outra médica que também realizava os exames junto com ele. Por isso há uma desconfiança sobre a credibilidade do diploma de medicina dessa médica, partes dos 28 candidatos também foram feitos com ela. A entrega da documentação, considerada uma etapa classificatória e eliminatória, ocorreu em 30 de julho, no Colégio Municipal Francisco Porto de Aguiar. Essas pessoas teriam sido atendidas por Diogo, conforme a denúncia. Falso médico esta utilizando nome de outros profissionais como no documento Arquivo Pessoal Outras irregularidades Os processos seletivos conduzidos pela instituição também são alvo de outras denúncias. Candidatos questionam a ausência de listas completas com as pontuações e classificações, de justificativas para as notas atribuídas na análise de títulos e currículos e dos resultados dos recursos apresentados. Os relatos ainda apontam falta de critérios claros para o acompanhamento das etapas e dificuldade de acesso às informações em canais oficiais. Os denunciantes pedem a divulgação integral das relações de inscritos, notas e classificações. Diogo foi preso por agentes da 63ª DP, de Japeri, durante um atendimento domiciliar a uma criança de 10 anos em tratamento contra um tumor cerebral maligno. Conforme a Polícia Civil, ele não possui formação nem habilitação para trabalhar como médico. A investigação aponta que o homem usava registros no Conselho Regional de Medicina, carimbos e receituários de outros profissionais sem autorização. Ele atendia a menina desde outubro de 2025 e teria realizado pelo menos seis consultas, cobrando entre R$ 700 e R$ 1 mil por visita. Nesse período, Diogo teria prescrito medicamentos, solicitado exames e feito encaminhamentos utilizando os dados de outro médico. A criança tem meduloblastoma grau IV. Segundo a polícia, as prescrições feitas por uma pessoa sem habilitação poderiam colocar a saúde dela em risco. A mãe da menina começou a desconfiar depois de identificar inconsistências nas prescrições. Ao consultar o cadastro do Conselho Regional de Medicina, ela verificou que a fotografia vinculada ao CRM apresentado não correspondia ao homem que realizava os atendimentos. A família procurou a delegacia, que enviou policiais à residência. Diogo foi abordado ao término de mais um atendimento. Segundo os investigadores, um agente chamou por “Dr. Jeferson”, e o suspeito respondeu. Com ele, os policiais apreenderam um carimbo e receituários de controle especial em nome de Jefferson Targino Sampaio, além de documentos carimbados em nome de outro médico e blocos de receitas. Diogo foi autuado por exercício ilegal da medicina com fins lucrativos, uso de documento particular falso, falsa identidade, tentativa de estelionato e perigo para a vida ou a saúde de outra pessoa. A delegacia pediu à Justiça a conversão da prisão em flagrante em preventiva. A Polícia Civil informou que ele também aparece como autor em outros quatro procedimentos relacionados a falsidade ideológica, furtos e peculato. Os investigadores apuram se outras pessoas foram atendidas por Diogo enquanto ele se apresentava como médico. O Instituto Rede de Apoio Social foi questionado sobre o vínculo com o suspeito, o número de exames admissionais realizados, a conferência dos documentos profissionais, a possibilidade de novas avaliações e as denúncias relacionadas à transparência dos processos seletivos. A Prefeitura de Arraial do Cabo também foi procurada para informar se tinha conhecimento da atuação do homem, como fiscaliza os serviços prestados pelo instituto e quais providências serão adotadas. Os posicionamentos ainda são aguardados. A primeira nota da prefeitura sobre essa empresa: A Prefeitura de Arraial do Cabo, por meio da Secretaria de Educação, informa que a transição para o novo modelo de prestação dos serviços de Apoio Escolar será realizada de forma organizada e planejada, garantindo a continuidade do atendimento e a qualidade dos serviços oferecidos aos estudantes da rede municipal. Nenhum aluno foi ou será prejudicado durante esse processo. O principal objetivo da medida é assegurar os direitos das crianças, manter o atendimento educacional de forma eficiente e garantir que os profissionais necessários estejam disponíveis para atender à demanda da rede de ensino. A contratação da empresa responsável pelos serviços de Apoio Escolar foi realizada dentro da lei, seguindo todos os procedimentos exigidos. Todo o processo foi publicado no Diário Oficial e está disponível no Portal da Transparência. As vagas são para três funções: Auxiliar de Educação Infantil, que atua junto aos professores nas turmas da Educação Infantil; Cuidador Escolar; e Mediador Escolar, ambos destinados ao atendimento de estudantes da Educação Especial Inclusiva, conforme avaliação da equipe multiprofissional do setor. A medida atende, entre outros pontos, às determinações do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), que orientou o município a reduzir as contratações temporárias na rede municipal de ensino. O objetivo também é garantir a continuidade do atendimento aos alunos. Antes da contratação, a Secretaria realizou estudos que apontaram dificuldades para manter e repor profissionais, devido à alta rotatividade desses trabalhadores. Por isso, foi definida a contratação de uma empresa especializada. O processo licitatório já foi concluído e a empresa vencedora foi contratada. A previsão é que os serviços comecem no retorno das aulas do segundo semestre, no início de agosto, sem prejuízo às atividades escolares A Secretaria de Educação também se reuniu com representantes do SEPE Lagos e da Comissão de Auxiliares de Classe, na manhã desta quarta-feira (15), para explicar a medida e esclarecer dúvidas, reforçando o compromisso com o diálogo e a transparência. Reiteramos que é importante que a terceirização não se torne uma pauta política. O foco da Administração Municipal é garantir a continuidade dos serviços, assegurar os direitos dos estudantes e oferecer um atendimento de qualidade às crianças da rede municipal de ensino. A Prefeitura reafirma o compromisso com a transparência, a boa governança e a gestão responsável, conduzindo seus atos em conformidade com a legislação e com as diretrizes dos órgãos de controle, entre eles o Tribunal de Contas do Estado, assegurando a correta aplicação dos recursos públicos.