Em eleição contestada e sem concorrentes, Douglas Ruas é eleito e empossado presidente da Alerj
Douglas Ruas é eleito o novo presidente da Alerj Numa eleição sem concorrentes, contestada na Justiça pela oposição 2 vezes, o deputado Douglas Ruas (PL) ...
Douglas Ruas é eleito o novo presidente da Alerj Numa eleição sem concorrentes, contestada na Justiça pela oposição 2 vezes, o deputado Douglas Ruas (PL) foi eleito e empossado o novo presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) na manhã desta sexta-feira (17). Também foi eleito o segundo secretário, deputado Dr. Deodalto. Alguns partidos, no entanto, não votaram e prometem acionar o Supremo Tribunal Federal (STF). Não participaram da votação 27 deputados do PT, PSB, PSD, PC do B, MDB, PDT e PSOL. Ruas já tinha sido escolhido por parte de seus pares para presidir a Alerj em 26 de março, mas essa votação acabou anulada na Justiça. Ser o presidente da Alerj daria a Ruas o precedente de assumir interinamente o governo do RJ, mas uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) está mantendo no comando do Palácio Guanabara o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto, até que a Corte defina como será a eleição do mandato-tampão. Douglas Ruas durante votação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro Rafael Nascimento / g1 Inicialmente, a disputa seria entre 2 deputados candidatos: Douglas Ruas (PL), ligado à base do ex-governador Cláudio Castro (PL), e Vitor Junior (PDT), apoiado pela frente partidária do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo do estado. O candidato da oposição, porém, retirou a candidatura. O movimento foi um protesto contra a decisão da Justiça que manteve a votação aberta. Em paralelo à retirada da candidatura de Vitor Junior, uma frente de 25 deputados e 9 partidos (PSD, MDB, Podemos, PT, PDT, PSB, Cidadania, PCdoB e PV ) não participou da votação. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Douglas Ruas Thiago Lontra/Alerj 'Cartas marcadas' x 'transparência' Para a oposição, a votação aberta se torna um jogo de “cartas marcadas”. A avaliação é de que o sigilo poderia estimular deputados da base governista a mudar de posição sem sofrer pressão. “Essa frente partidária não irá legitimar um processo eleitoral de fachada, retirando-se do plenário caso mantido o voto aberto”, diz um trecho da nota da frente partidária. “Entendemos que o voto secreto evita a intimidação que, por certo, a base do então governador Cláudio Castro vai tentar fazer com os deputados”, afirmou a deputada Martha Rocha (PDT). Ruas, por sua vez, defendeu o voto aberto e questionou a oposição. “Por que esconder em quem você vai votar? Eu acho que a população tem direito. Quanto mais transparência no poder público, melhor. Seja no Legislativo, no Judiciário, no Executivo, eu sou a favor da máxima transparência”, disse o deputado do PL. Novo presidente da Alerj não será governador Justiça anula eleição na Alerj, que tinha eleito Douglas Ruas como presidente Ruas já havia sido eleito presidente da Alerj em março, poucos dias após a cassação da chapa do então governador Cláudio Castro, mas a votação foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Rio, e ele não chegou a tomar posse. Tradicionalmente, o presidente da Alerj ocupa posição de destaque na linha sucessória do governo do estado, à frente do presidente do Tribunal de Justiça. Desta vez, porém, o eleito não assumirá o comando do Executivo. Uma decisão liminar do ministro Cristiano Zanin, do STF, determinou que o desembargador Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio, permaneça como governador em exercício até que a Corte defina o modelo para escolha do novo chefe do Executivo em mandato-tampão. Retotalização de votos A decisão de convocar uma nova eleição na Alerj ocorreu no dia seguinte à homologação, pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), do resultado da retotalização dos votos para deputado estadual após o mandato do antigo presidente, Rodrigo Bacellar, ter sido cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O procedimento foi realizado no dia 31 de março. Não houve alteração na composição partidária da Casa entre partidos e federações em relação às eleições de 2022. Com a nova contagem, o deputado delegado Carlos Augusto (PL), que vinha exercendo uma vaga que era de suplente, assume uma vaga efetiva de deputado. Carlos Augusto já ocupava uma cadeira na Alerj como suplente, na vaga do atual prefeito de Cabo Frio, Dr. Serginho. Com a retotalização, Carlos Augusto vira deputado titular, e o deputado Renan Jordy (PL) assume esta cadeira de suplente que já estava sendo usada na vacância de Dr. Seginho. LEIA TAMBÉM: Eleitores do RJ podem ir às urnas duas vezes em 2026 STF busca saída jurídica para garantir eleição direta no RJ Quem é o governador do RJ neste momento? Tira dúvidas Na prática, o PL recuperou a vaga que era do União Brasil, com Bacellar. Quando eleito, o ex-presidente da Alerj era do PL, que abriu mão da cadeira quando ele foi para o União Brasil. Com a cassação, essa vaga volta para o PL. "Não houve alteração na distribuição das cadeiras entre partidos e federações. O deputado estatual eleito pelo PL passa a ser o senhor Carlos Augusto Nogueira Pinto", disse o presidente do TRE-RJ, Cláudio de Mello Tavares, após o resultado da retotalização. Cassação de Bacellar A cassação do mandato de Rodrigo Bacellar, com a anulação dos votos recebidos por ele nas eleições de 2022, foi determinada no mesmo processo que analisou irregularidades nas eleições e também atingiu outros envolvidos no caso, como Cláudio Castro (PL). O então governador renunciou às vésperas de ser cassado e ficou inelegível por 8 anos. No julgamento, ministros do TSE entenderam que houve abuso de poder político e econômico no uso de estruturas públicas, como a Fundação Ceperj e a Uerj, com impacto direto na disputa eleitoral. Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj, e o governador Cláudio Castro Divulgação O Código Eleitoral estabelece que votos dados a candidatos que perdem o mandato deixam de ser considerados válidos, o que obriga a Justiça Eleitoral a recalcular a distribuição das vagas. Como a eleição para deputado estadual segue o sistema proporcional, qualquer alteração no total de votos pode impactar diretamente o número de cadeiras de cada partido na Alerj.