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Carnaval 2026: força-tarefa treina bares, eventos e camarotes para combater assédio sexual no Rio

Carnaval 2026: força-tarefa treina bares, eventos e camarotes para combater assédio sexual no Rio Samba no pé, fantasia, alegria e multidões nas ruas. Mas, ...

Carnaval 2026: força-tarefa treina bares, eventos e camarotes para combater assédio sexual no Rio
Carnaval 2026: força-tarefa treina bares, eventos e camarotes para combater assédio sexual no Rio (Foto: Reprodução)

Carnaval 2026: força-tarefa treina bares, eventos e camarotes para combater assédio sexual no Rio Samba no pé, fantasia, alegria e multidões nas ruas. Mas, junto com a festa, cresce também a preocupação com a segurança das mulheres no Carnaval do Rio. Para enfrentar o assédio sexual durante a folia, a Secretaria Estadual da Mulher está à frente de uma força-tarefa que vem treinando profissionais de bares, restaurantes, blocos, eventos e camarotes para identificar situações de risco e acolher possíveis vítimas de violência. A ação reforça a campanha “Não é não”, que mais uma vez entra no Carnaval com o recado direto: consentimento é regra. A iniciativa conta com o apoio da Polícia Militar, da Liga das Escolas de Samba, de empresários do setor de entretenimento e de representantes do carnaval de rua e da Sapucaí. A rainha de bateria do Império Serrano, Quitéria Chagas, destaca que a mensagem vai além do samba. “Hoje em dia, nosso corpo, nossas regras. Não é só um corpo sambando, é um corpo que mostra a resistência da mulher no samba e na vida”, afirmou. Treinamento obrigatório e rede de proteção Desde o ano passado, um decreto estadual tornou obrigatória a capacitação de profissionais que atuam em grandes eventos. Nos treinamentos, funcionários aprendem a reconhecer sinais de assédio, agir de forma segura e orientar mulheres sobre como buscar ajuda. Uma das novidades deste Carnaval é a adesão dos camarotes da Marquês de Sapucaí à campanha. “É um momento de alegria, mas também de responsabilidade. Todo mundo precisa estar alinhado para fazer a mudança”, disse Gabriella Aranha, coordenadora de Comunicação e Marketing de um dos camarotes. A mobilização acontece em um cenário preocupante. Pesquisa do Instituto Locomotiva, em parceria com a QuestionPro, aponta que 8 em cada 10 mulheres dizem ter medo de sofrer assédio durante o Carnaval. Metade das entrevistadas afirma que já foi vítima, muitas vezes justamente durante a festa. O Cordão da Bola Preta, bloco mais antigo e tradicional do Rio, também entrou na campanha. O presidente Pedro Ernesto Marinho usa o carro de som para reforçar o aviso à multidão. “Carnaval é alegria, beijo, namorar, ser feliz, mas sempre respeitando a vontade da mulher. Não é não”, diz. A Patrulha Maria da Penha também estará presente nos eventos. Segundo a major Bianca Ferreira, equipes vão atuar em locais de festa distribuindo material informativo e conscientizando o público. “Onde tiver Carnaval, vai ter orientação para que a gente tenha uma festa mais segura.” Para comerciantes, o treinamento representa uma virada de chave. Dono de um bar no Maracanã, Felipe Trotta diz que velhos discursos precisam ficar no passado. “Cliente não tem sempre razão. A gente precisa garantir um espaço seguro e acolhedor para as mulheres”, afirmou. A campanha reforça que o combate ao assédio depende de uma ação coletiva. “É uma rede de proteção que funciona porque é de toda a sociedade”, resume Pedro Silva, vice-presidente da Liga RJ.